DEZEMBRO RECHEADO DE SHOWS

NOITE FORA DO EIXO:

Quem toca: Maglore (Salvador), Os Barcos (Vitória da Conquista), Casa de Vento (Feira de Santana)
Onde: Antiquário Pub – Rua General Mendes Pereira, 202, Ponto Central – Feira de Santana (BA)
Quando: 03 de dezembro (sexta), às 20h

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DOMINGO DE COVERS

Quem toca: Gabba Gabba Hey, Zeppelin Rock e Monochrome
Onde: Botekin – Av. João Durval , S/N, Ao lado do Bingo Princesa
Quando: 05 de dezembro (domingo), às 16:30h

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O NATAL DO CLUBE – COMEMORANDO 1 ANO DE EXISTÊNCIA DO FEIRA COLETIVO

Quem toca: Aluga-se (Raul Seixas Cover) , Clube de Patifes e Camarones Orchestra Guitarrística (Natal - RN)
Onde: Botekin – Av. João Durval , S/N, Ao lado do Bingo Princesa
Quando: 18 de dezembro (Sábado), às 20:00

ROCK ENTRE AMIGOS

Quem toca:Cidadão Dissidente, Blas Fêmia (Vitória da Conquista), Ultimo Grito (Simões Filho), AmbulatórioFSA e Flower
Onde: Espaço Bar – 1° Andar (Ao lado dos Colchões Triunfo) –Sobradinho
Quando: 18 de dezembro (Sábado), às 19:30

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SEMINÁRIO 18 ANOS DO AMÉLIO AMORIM: O QUE TEMOS PARA FALAR? REFLEXÕES SOBRE A CULTURA EM FEIRA DE SANTANA.



Um Centro de Cultura é uma área que reúne manifestações culturais de diversas formas. É um local aberto à população e tem como objetivo reunir pessoas interessadas em cultura, manter um constante incentivo à criação e a descoberta da arte e da cultura, difundindo-as entre a população.

As atividades realizadas num centro cultural não devem ser aceitas passivamente, devem ser discutidas, dialogadas conjuntamente entre o gestor do Centro e o público a que ele se destina. A construção de um centro de cultura é uma decisão política que deve partir de um desejo comum e deve ser discutida pela parte da sociedade, que de certa forma estará ligada a ele.

É nesse sentido que alguns artistas, grupos residentes do Centro de Cultura Amélio Amorim e produtores culturais decidiram se fortalecer enquanto um coletivo capaz de articular políticas culturais direcionadas para gestão do Centro de Cultura, tornando-o adequado às reais necessidades da população feirense. Para tanto, viabilizaremos uma discussão no 1º Seminário a ser realizado nos dias 01 e 02 de dezembro de 2010, às 18:30h, no Centro de Cultura Amélio Amorim em Feira de Santana, cuja temática será:

18 ANOS DO AMÉLIO AMORIM: O QUE TEMOS PARA FALAR? REFLEXÕES SOBRE A CULTURA EM FEIRA DE SANTANA.

Serão dois encontros conduzidos pelos ativistas culturais convidados, Bel Pires (IMAQ) no primeiro dia de discussão, cujo objetivo será realizar um diagnóstico do Amélio Amorim, percebendo qual a sua importância para a cidade e como a sociedade o enxerga; e no segundo dia por Ana Vaneska (Coordenadora do Cine-Teatro Plataforma/ Salvador), com o objetivo de apresentar a experiência da Gestão participativa em Plataforma como um modelo a ser conduzido. O que se pretende com este seminário é alcançar um maior contigente de artistas, grupos e produtores culturais para a construção deste modelo participativo de gestão cultural.

Por isso, contamos com você sugerindo e discutindo um centro de cultura de todos e de todas, depositando nele a identidade da cidade de Feira de Santana.


SEMINÁRIO 18 ANOS DO AMÉLIO AMORIM: O QUE TEMOS PARA FALAR? REFLEXÕES SOBRE A CULTURA EM FEIRA DE SANTANA.

01/ 12/ 2010 - Diagnóstico do Amélio Amorim: Qual a importância do Centro de Cultura na cidade e como a sociedade o enxerga?
HORÁRIO: 18:30 horas
LOCAL: Centro de Cultura Amélio Amorim
CONDUTOR: Bel Pires – função IMAC

02/ 12/ 2010 - Experiência da Gestão participativa em Plataforma - Salvador.
HORÁRIO: 18:30 horas
LOCAL: Centro de Cultura Amélio Amorim
CONDUTORA: Ana Vaneska – Coordenadora do Cine-Teatro Plataforma



Turnê Novíssimos Baianos passa por Feira de Santana



Tomando como exemplo as turnês já realizadas pelo Circuito Fora do Eixo, estas que tiveram recordes de público e de estados que as receberam, em dezembro saem pelo Nordeste duas bandas que são consideradas as promessas de 2011 para a Bahia e para toda a América Latina. Uma advinda da capital Salvador e a outra da suíça baiana, Vitória da Conquista. Maglore e Os Barcos, respectivamente, lançam-se na estrada para realizar uma série de apresentações que passarão por boa parte dos estados nordestinos com a turnê Novíssimos Baianos.
O nome “Novíssimos Baianos” vem do jornalista Luciano Matos, do site El Cabong, de Salvador, que colocou Os Barcos e a Maglore no rol de artistas que ocuparão o lugar de uma famosa banda já extinta, os Novos Baianos. Elas fazem parte da atual safra de músicos que se desponta como a promessa da música do nosso estado, do nosso país.
Os Novíssimos Baianos começam a turnê em Vitória da Conquista, no dia 2, e sobe passando por Feira de Santana, Salvador e Camaçari, ainda na Bahia. Depois, saem do estado e seguem para a capital sergipana e sobe mais um pouco para fazer dois shows em Recife, duas na Paraíba e finaliza com o show no Rio Grande do Norte, em Natal, no dia 12 de dezembro.
Formada em 2009, em Salvador, a Maglore, propõe a sinestesia musical entre cores e sons, trazendo elementos musicais de vários cantos do mundo. A banda mescla a espontaneidade da música popular brasileira com a classe do rock britânico, aliados a letras sinceras. O resultado disso é um rock tropical.
A Maglore começou a sua bem-sucedida carreira com Cores do Vento, seu primeiro EP e disparou tocando em vários eventos como o Festival FUN MUSIC (SP) e o Desafio das Bandas (BA). A banda também venceu o iBahia Garage Band, através de votação popular, que rendeu uma apresentação no Festival de Verão Salvador 2010. Nery Castro, Teago Oliveira, Leo Brandão e Igor Andrade formam a Maglore que produz um som que contagia a todos, de várias tribos, com a mesma intensidade.
Ao lado dos soteropolitanos, apresenta-se Os Barcos. Fundada em 2008, com integrantes de Poções e Vitória da Conquista, ambas cidades baianas, a banda produz um som de alta qualidade, com letras e melodias gostosas de ouvir, o que fez com que sua música fosse reconhecida em todo o estado. O nome da banda é em alusão há um escrito de Fernando Pessoa que diz que: “Navegar é Preciso; Viver não é preciso”, no qual o autor escreve que viver não é necessário; o que é necessário é criar. Sendo assim, entende-se cada componente como um barco em meio ao caos, navegando em busca de um anti-adoecimento, uma espécie de movimento poético de linhas de fuga.
Marx, Netinho, Ivan e Fernando acabaram de gravar o primeiro CD d´Os Barcos de forma independente, e sofre influências de diversas vertentes musicais, entre elas, o Rock e o Jazz, além das mais variados formatos artísticos. A galera já aportou em grandes festivais como o de Inverno da Bahia, o Conexão Vivo e o Conexão Vivo na Sala do Coro.
As turnês do Fora do Eixo tiveram início no ano de 2009 e durante todo o ano e no ano seguinte, firmou-se como uma forma alternativa de circulação de bandas que envolve não somente as bandas participantes em si, mas também, casas de shows, produtores, comunicadores e toda a Rede Fora do Eixo.

Datas do show:
02/12 – Vitória da Conquista (BA)
03/12 – Feira de Santana (BA)
04/12 – Salvador (BA)
05/12 – Camaçari (BA)
06/12 – Aracaju (SE)
08/12 – Recife (PE)
09/12 – Recife (PE)
10/12 – João Pessoa (PB)
11/12 – Campina Grande (PB)
12/12 – Natal (RN)

OS SOPROS DO RETORNO

Mais sólida que nunca, banda Casa de Vento se apresenta no Art Brasil e no Antiquário neste final de semana


Quem presenciou a segunda noite de atrações musicais do Feira Noise Festival 2010 teve a chance de conhecer de perto o trabalho de uma banda cuja qualidade mais notável é o enfoque numa proposta peculiar dentro do cenário do rock local. Agora com novo nome e nova formação, a Casa de Vento – antiga Simples Mortais – continua apostando nas influências do rock inglês para forjar o próprio DNA e ganhar espaço pelo circuito indie afora. Para isso, é natural que depositem também algumas fichas nos palcos, onde Josh (vocal), Esteves (teclado) e Filipe (contrabaixo), Cordeiro (guitarra) e Marcelo Miranda (bateria) conseguem incrementar o potencial climático das composições já gravadas e disponíveis no MySpace. Alguém duvida? Os shows a serem realizados no Bar Art Brasil (sexta-feira, 19) e no Antiquário Pub (sábado, 20) darão ao público a certeza de que os elogios se justificam inteiramente.

As mudanças no line-up marcam um período de estabilidade. Após a chegada de Cordeiro e Marcelo Miranda, as afinidades e objetivos se acentuaram. Elaborar um repertório de qualidade, calcado em músicas autorais e permeado de alguns covers, constitui a meta principal do quinteto. Além disso, como é de se esperar dos rockers, pretendem sair em turnê tão logo se organizarem pessoal e profissionalmente para a empreitada. E ainda planejam registrar no próximo ano mais três ou quatro canções em estúdio. Segundo Cordeiro, um momento essencial de descoberta e aproveitamento dos arcabouços de cada integrante.
A escolha do nome atual simboliza o início de uma trajetória em que tudo flui decididamente melhor. Poucos foram os que prestaram atenção à Simples Mortais em 2009, mas bastou uma apresentação de sucesso no Feira Noise para que a Casa de Vento conquistasse tanto os aficionados pela sonoridade britânica pós-Radiohead quanto os fãs de Los Hermanos e derivados. Desde então, as apresentações ao vivo são mais frequentes, alcançando a média de uma por semana. Nada mal, uma vez constatadas as precariedades do painel feirense de produções culturais alternativas.

Esse fase próspera, que coincide com uma maior mobilização de grupos – dentre os quais se firma o Feira Coletivo – interessados em juntar forças e promover a cultura em suas diversas esferas, representa um renascimento geral. É uma nova perspectiva àqueles grupos e artistas-solo que queiram começar e recomeçar na estrada íngreme da música independente. Sempre há tempo, e é quando se ouve canções do naipe de “A Revolução dos Bichos” e “A Letra A” que a esperança se fortalece. Vida longa à Casa de Vento.

Por Ana Clara Teixeira

Lançamento - Diego e o Sindicato

Compacto.Rec lança Diego Morais e o Sindicato

O Compacto.Rec, em mais uma edição apresenta nesse mês de novembro o lançamento do disco “Parte de nós”, primeiro álbum de Diego Morais e o Sindicato de Goiânia.

Diego Morais iniciou sua trajetória na musica como baterista tocando em algumas bandas em Senador Canedo, município vizinho à Goiânia. Em 2006 Diego começou a tocar suas próprias composições e, juntamente com a sua irmã, fez uma série de apresentações pela cidade. Em 2007 venceu o concurso TACABOCANOCD e como prêmio o gravou um Ep chamado Reticências..., lançado no mesmo ano pelo coletivo Fósforo Cultural, e foi nesse momento que encontrou o Sindicato e se reuniram para um único show, e desde então permanecem juntos. Também em 2007 participaram de um concurso promovido pelo site TramaVirtual em parceria com a Revista Capricho, que lhes rendeu a gravação de uma faixa nos Estúdios da Trama. Desde então Diego de Moraes e O Sindicato já se apresentaram em grandes festivais, como a Virada Cultural, em São Paulo, os Festivais Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela em Goiânia, além de terem tocado no Jambolada, em Uberlândia e nos festivais Calango (Cuiabá – MT), Móveis Convida (Brasília – DF), Varadouro (Rio Branco – AC), Feira da Música (Fortaleza-CE), e firmaram-se como um dos mais criativos grupos da cena independente nacional.

COMPACTO.REC

O Compacto.Rec é um projeto de lançamento mensal de álbuns virtuais em rede com o objetivo de estimular a circulação e distribuição de bandas da cena independente brasileira. Os agentes que integram a equipe são oriundos dos mais distintos lugares do país que, através da internet trabalham em conjunto executando toda a pré-produção do Compacto.Rec: uma compilação com músicas, letras, release, fotos, vídeo, banners e avatares, que são divulgados em todos os veículos de comunicação integrados ao Circuito Fora do Eixo

Esse ano o Compacto.Rec trouxe diversos lançamentos que deram ênfase ao projeto, como a paranaense Nevilton, a mineira Uganga, deu destaque a Coletânea Grito Rock América do Sul 2010, lançou o primeiro material solo do Jair Naves, ex-Ludovic, realizou no mês de outubro seu primeiro lançamento internacional com o álbum “YYY” da banda Falsos Conejos de Buenso Aires (ARG) e recentemente foi contemplada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet.

O DISCO

“Parte de Nós” é o disco de estréia de Diego e o Sindicato e apresenta canções que foram experimentadas pelo grupo desde a sua formação em 2007, e experimentação é, de fato, a melhor palavra para descrever a criatividade das musicas do álbum. Com uma sonoridade que varia da psicodelia ao folclore, explorando micro-temas e sensações musicais que remetem do pop ao caipira, “Parte de nós” são muitos pedacinhos de sons universais organizados por bricolagem num belo mosaico musical.

As 12 faixas do cd transitam pelos mais variados ritmos e timbres e foram gravadas no estúdio Loop, em Goiânia, com produção de Eduardo Kolody e Rogério Pafa. O disco contou com a participação de Astronauta Pinguim e teve o apóio da Lei Municipal de Cultura.


Baixe o disco: www.compactorec.wordpress.com


Ressaca do Feira Noise

Algum personagem de quem hoje pouco me recordo objetivamente me alertou – sem se equivocar – que uma banda sempre se revela já na passagem de som, por mais enfadonha que esta possa ser e por mais inclassificável que pareça o direcionamento assumido pelos músicos. A pernambucana A Banda de Joseph Tourton, primeira atração a se apresentar na Ressaca Feira Noise Festival, gritou a que veio com o antológico riff de "Iron Man", do Black Sabbath. É certo que escolha melhor não poderia haver. No entanto, engana-se o leitor se acaso me imagina, neste momento, diante de uma banda de heavy metal. Ou de hard rock. Ou de stoner.
Para além de quaisquer denominações simplórias, A Banda de Joseph Tourton talvez represente como nenhuma outra a alma do Feira Noise Festival, cuja diversidade foi de encontro ao senso comum de muitos que lhe atribuíram a alcunha de “festival de rock”. Impor um rótulo ao quarteto instrumental em questão ou mesmo enquadrá-lo numa categoria específica ser-me-ia tão constrangedor quanto sustentar essa visão restrita do evento. Não é isso o que os integrantes desejam, suponho. Tampouco esta humilde observadora o quer. O mesmo posso afirmar do público, que às 21:30 ingorou o atraso superior a duas horas para se integrar à atmosfera que proporciona o caldeirão sonoro da banda. Um som remetente à energia do rock and roll e a uma brasilidade genuína, transitando de modo confortável entre referências aparentemente dispersas.
Já na terceira ou quarta canção, emendada com a tal habilidade peculiar aos artistas e grupos dedicados ao instrumental, até os menos afeitos ao estilo mostravam-se em sintonia com a variação rítmica impressionante. É o jazz invadindo o espaço. É, por conseguinte, a bossa nova. É o percurso de uma flauta surpreendente e bem-aventurada, que enriquece harmonias sólidas e expansivas em sua essência básica. Mais uma vez, a linguagem dos acordes prova-se universal, ainda que, uma vez tão capaz de atingir nosso espírito, não necessite de ratificações cabais.
Quando a banda acaba de anunciar sua última música, impossível não notar quão curta foi a apresentação. Ainda mais improvável é fechar os olhos para a maturidade de quatro músicos jovens. Se a juventude contribui com a espontaneidade, o talento demonstrado na incorporação de influências e no domínio dos instrumentos reserva à Banda de Joseph Tourton um lugar especial no cenário brasileiro independente. E deixa-nos, então, a certeza de que coisas boas circulam à espera de chegar aos nossos ouvidos.

Segunda banda da noite, Clube de Patifes não demorou a entrar no palco. Caracterizar um show desse ícone local do blues-rock significa, para a maioria, descrever o óbvio. A propriedade do repertório, a desenvoltura e a competência são algumas das qualidades que explicam o porquê de o grupo sempre conquistar aqueles que já o conhecem de longa data. À medida que as apresentações se repetem, as reações positivas do público correspondem. Pablues (vocal e gaita), Jo Capone (baixo), Paulo de Tarso (bateria), Stephen (atualmente na guitarra) e seus respectivos pais, lembrados pelo vocalista ao citar os integrantes, jamais deixarão de ser bem-recebidos.
No set list, canções dos dois álbuns de estúdio – Do Palco ao Balcão e Com um Pouco Mais de Alma. "Mulher de Repente", uma das preferidas da plateia, figurou na abertura, ao passo que "Caminhos de Cruz" apareceu no encerramento ao lado de "Roadhouse Blues", do The Doors. No mais, uma versão do Trio Nordestino deu conta das influências regionais corriqueiras da banda. Canções como "Um Dia Blue", por sua vez, reafirmaram a conexão com a expressão original do blues. Expressão esta muito mais próxima da nossa realidade do que se costuma pensar.


Depois da meia-noite, a Falsos Conejos retomou a proposta instrumental e ofereceu ao público uma apresentação marcada por linhas de baixo em destaque, timbres melodiosos, distorções e um peso constante. Algo que ultrapassa o rock e estabelece fronteiras com a psicodelia, o jazz e até coisas mais inorgânicas, por assim dizer. Existe um quê de sombrio na sonoridade um tanto virtuose dos argentinos. Tamanha singularidade é possivelmente responsável pelo prestígio de seu desempenho ao vivo em Buenos Aires, tendo sido eleito um dos dez melhores shows independentes da capital.
É importante lembrar que a presença da banda em Feira de Santana foi viabilizada pela Turnê Fora do Eixo. Ao lado da Joseph Tourton, o trio encara uma maratona de shows quase equivalente à média de um por dia. Aproveita, também, para divulgar o álbum YYY, lançado em outubro último. Os pontos fortes conferidos no registro de estúdio se reproduzem ao vivo, inclusive o baterista que se sobressai gradativamente até ditar um ritmo enlouquecedor. A isso, acrescenta-se o poder de interatividade de um grupo que quase consegue a façanha de tornar-se espectador de si próprio. É a impressão que nos fica inevitável ao assistirmos a músicos entregues àquilo que produzem, dispostos a senti-lo instantaneamente.
Ao final, baixo e bateria passaram a se guiar por um desfile de bases e solos em altíssima velocidade. Baixo, guitarra e bateria. Precisamos de algo mais? A Falsos Conejos, numa despedida inesperada e lamentada, respondeu que não. Resta-me apenas estar de acordo.

A Cidadão Dissidente, de inspiração punk até no nome, começou prestando seu tributo aos Ramones. “I don't care about this world/ I don't care about that girl I don't care”. Em seguida, menção ao rock nacional com “Que País É Este”. Nenhuma mudança nos acordes, obviamente. A cartilha “do it yourself”, afinal de contas, é a mesma em qualquer lugar: letras de protesto, seja em tom de engajamento ou em tom de indiferença. Consideremos que a banda passeou pelos dois extremos em, no máximo, três minutos. O bastante para contentar o público. Dinossauros progressivos que me perdoem, mas isso não é para qualquer um.
Entre covers da fase inicial dos Titãs, do fugaz RPM e do Ultraje a Rigor, uma série de canções autorais em que percebemos uma maneira peculiar de gritar contra. Não se trata de denúncia puramente social, mas de uma reflexão direta sobre as circunstâncias de uma condição individual angustiante – tema exposto no clipe oficial de "Anjo Atormentado", no qual devo elogiar a produção e o desenvolvimento bem-sucedido de uma ideia por meio de recursos simples.
A presença de palco, conforme é do conhecimento de todos os que acompanham a Cidadão Dissidente, é uma atração a mais. Na última música, boa parte do público aproximou-se para aproveitar os instantes derradeiros da Ressaca e a agitação que somente o rock and roll em seu estado mais primitivo pode oferecer.

Por Ana Clara Teixeira















LISTA AMIGA

Encerrada as Incrições na Lista Amiga. Proximo Evento do Coletivo ela volta.Obrigado!