OS SOPROS DO RETORNO

Mais sólida que nunca, banda Casa de Vento se apresenta no Art Brasil e no Antiquário neste final de semana


Quem presenciou a segunda noite de atrações musicais do Feira Noise Festival 2010 teve a chance de conhecer de perto o trabalho de uma banda cuja qualidade mais notável é o enfoque numa proposta peculiar dentro do cenário do rock local. Agora com novo nome e nova formação, a Casa de Vento – antiga Simples Mortais – continua apostando nas influências do rock inglês para forjar o próprio DNA e ganhar espaço pelo circuito indie afora. Para isso, é natural que depositem também algumas fichas nos palcos, onde Josh (vocal), Esteves (teclado) e Filipe (contrabaixo), Cordeiro (guitarra) e Marcelo Miranda (bateria) conseguem incrementar o potencial climático das composições já gravadas e disponíveis no MySpace. Alguém duvida? Os shows a serem realizados no Bar Art Brasil (sexta-feira, 19) e no Antiquário Pub (sábado, 20) darão ao público a certeza de que os elogios se justificam inteiramente.

As mudanças no line-up marcam um período de estabilidade. Após a chegada de Cordeiro e Marcelo Miranda, as afinidades e objetivos se acentuaram. Elaborar um repertório de qualidade, calcado em músicas autorais e permeado de alguns covers, constitui a meta principal do quinteto. Além disso, como é de se esperar dos rockers, pretendem sair em turnê tão logo se organizarem pessoal e profissionalmente para a empreitada. E ainda planejam registrar no próximo ano mais três ou quatro canções em estúdio. Segundo Cordeiro, um momento essencial de descoberta e aproveitamento dos arcabouços de cada integrante.
A escolha do nome atual simboliza o início de uma trajetória em que tudo flui decididamente melhor. Poucos foram os que prestaram atenção à Simples Mortais em 2009, mas bastou uma apresentação de sucesso no Feira Noise para que a Casa de Vento conquistasse tanto os aficionados pela sonoridade britânica pós-Radiohead quanto os fãs de Los Hermanos e derivados. Desde então, as apresentações ao vivo são mais frequentes, alcançando a média de uma por semana. Nada mal, uma vez constatadas as precariedades do painel feirense de produções culturais alternativas.

Esse fase próspera, que coincide com uma maior mobilização de grupos – dentre os quais se firma o Feira Coletivo – interessados em juntar forças e promover a cultura em suas diversas esferas, representa um renascimento geral. É uma nova perspectiva àqueles grupos e artistas-solo que queiram começar e recomeçar na estrada íngreme da música independente. Sempre há tempo, e é quando se ouve canções do naipe de “A Revolução dos Bichos” e “A Letra A” que a esperança se fortalece. Vida longa à Casa de Vento.

Por Ana Clara Teixeira

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