PROJETO ELETROACÚSTICO | 30 DE JUNHO

A Banda Gaúcha Divina Vox é uma das atrações do EletroAcústico desta quinta

A cena cultural de nossa cidade está mudando. A movimentação tem sido intensa, produtores e artistas tem se unido para trabalhar de forma colaborativa. Rede Motiva e Fora do Eixo já são redes que estão presentes na cidade. ArtBrasil, Feira Coletivo, Trupe Mandhala, Inova Cine, Nova Letra, as articulações locais estão acontecendo e essa nova efervescência tem sido extremamente positiva para a cidade.

É com este pensamento de se unir para fortalecer que iremos realizar na próxima quinta-fera, dia 30 de Junho, o segundo EletroAcústico, produzido pelo ArtBrasil Comunicação, Diversão e Arte com o apoio do Feira Coletivo Cultural.

O Evento tem por objetivo realizar shows musicais no conforto do teatro. Neste primeiro ciclo, as edições serão realizadas no Amélio Amorim. Além de proporcionar ao público feirense boa música nesse ambiente, o EletroAcústico promove intercâmbio de artistas.

Na próxima quinta feira, 3 atrações passarão pelo palco do Amélio Amorim. Teremos a feirense Casa de Vento, banda que tem se destacado no cenário local, e já é um dos principais grupos em atividade no nosso Portal do Sertão. No repertório, além de uma vasta produção autoral, com canções já conhecidas do público, como Roda Gigante, Mistério das Cinco Estrelas e Revolução dos Bichos, a banda homenageia suas principais influências como RadioHead, Coldplay e R.E.M.

Teremos também a Neologia, banda soteropolitana, que vem pela segunda vez a Feira de Santana, trazendo sua mistura elegante de MPB, Pop e Rock, guiados pela voz encantadora de Lívia Ferreira. A banda não traz o “novo” no nome à toa. A Neologia traz um show de altíssimo nível, e que dificilmente você vai esquecer.

A Divina Vox, banda formada em 2007, vem do Rio Grande do Sul. A Divina Vox vem trazendo uma sonoridade com referências variadas dentro do rock, pop rock, grunge e alternativo. A Divina Vox é uma banda de Rock, que aprendeu que o risco é saudável, e passear por sonoridades que não foram desbravadas antes faz com que tudo tenha mais graça; divina graça! No final, o ponto forte da banda é somar com simplicidade e eficiência elementos que poderiam parecer incoerentes. Seu grande mérito é soar leve e pesado, pop e alternativo ao mesmo tempo, sem perder sua autenticidade.

Além das atrações musicais, o EletroAcústico contará com a exposição de desenhos do artista Iuri Siqueira no Foyer do Centro de Cultura.


Serviço: EletroAcustico

Data: 30/06/2011

Local: Centro de Cultura Amélio Amorim

Entrada: Inteira R$ 8,00, Meia: R$ 4,00

Horário: 20horas.

E ACONTECEU O FERVURA FEIRA NOISE!

O Fervura Feira Noise é o principal evento de aquecimento para o nosso festival, que acontece este ano, em novembro. A ideia de fazer este aquecimento nasceu em 2010 recebendo 2 bandas fantásticas - e foi um sucesso. No último dia 19 aconteceu a segunda edição, com 4 atrações, 2 locais e 2 bandas convidadas. E o que aconteceu? Ora, foi um dos eventos mais lindos que realizamos este ano. O principal objetivo do Feira Coletivo que é o de estimular a cena cultural local, gerando intercâmbio, produção de produtos culturais e estabelecendo trocas de conhecimento e tecnologia social na cidade, além de contribuir imensamente para a circulação dos artistas independentes – e com muita dedicação, isso tem sido alcançado.

O dia que escolhemos para o segundo Fervura foi um domingo, dia que inicia a semana dos festejos juninos no nordeste, mas isso não foi negativo nem por ser domingo e muito menos por está tão próximo do São João.

Às 17:30h foi iniciado o evento. O final de tarde estava nublado e frio, o que só tornou o Botekin mais aconchegante ainda para quem chegava. O público ainda estava chegando quando nosso querido Dj e Multinstrumentista Don Maths comandava as pick ups, deixando rolar um repertório feito especialmente para ocasião e recheado do melhor da música nordestina. Don Maths fez intervenções sonoras durante todo o evento, nos intervalos entre as atrações.

Logo em seguida veio a Heróis de Aluguel. A banda tem pouco mais de 1 ano de atividades, e faz um rock and roll autoral, calcado nos principais nomes do rock brasileiro dos anos 80. A banda, no entanto, não se limita a essas referências. Por isso mesmo abriu o show mandando um rock clássico de Chuck Berry - e lá pelo fim do show, executou outro cover, dessa vez do Kings of Leon, que também foge um pouco à linha oitentista. Danilo (Voz) e Biscoito (Guitarra) já são veteranos do rock feirense, e participaram da antiga Demodê. Heróis de Aluguel faz um som vigoroso, bem groovado, com canções autorais simples, mas de arranjos bem cuidados. Uma coisa bacana que a banda fez foi homenagear bandas locais, tocando “Rock da Overdose” (LP & Os Compactos) e também “Luz” (Clube de Patifes).

Passava das 19 horas quando subiu ao palco a soteropolitana Sertanília, banda que trabalha com música regional. Quem esteve no Botekin pode presenciar uma apresentação lindíssima, com o melhor da música nordestina de raiz. Como a banda mesmo diz: o sertão é ponto de partida para sua música. Não existe nada melhor numa apresentação do que fazer com que o espectador se sinta em casa - é música que está em nosso sangue, no subconsciente de quem vive aqui no nordeste. E esse encanto que nos trazia a memória não foi quebrado com a banda que sucedeu a Sertanília. A Cabruêra era sem dúvida a atração mais esperada da noite, mas apresentação da Sertanília foi surpreendentemente linda e cativou todos os presentes.

Então vieram eles, Arthur Pessoa e companhia, era a vez da Cabruêra no palco do Fervura. Sem dúvida nenhuma, ter essa banda no palco de uma produção do Feira Coletivo foi um sonho realizado. E claro: a noite não poderia encerrar de melhor forma, a energia da banda no palco era incrível e a miscigenação sonora que a banda faz contagiou a todos o público presente.

A Cabruêra dispensa qualquer apresentação. A banda tem um currículo extenso, 4 discos lançados, trazendo para nossa geração tudo que tem de bom na nossa música com nova roupagem. E nessa roupagem você encontra um pouco de tudo: do afrobeat ao samba, do funk ao côco, repente, forró. No palco do Botekin, a banda fez um apanhado geral de sua carreira, com mais canções do novo disco Visagem, claro, mas também um pouco de cada um dos outros 3 discos anteriores, com espaço para uma bela ciranda que se formou no Botekin, e é claro, o Forró Esferográfico, música instrumental que Arthur Pessoa executa com um violão e uma caneta esferográfica, marca registrada da banda.

Tudo que é bom a gente já sabe, acaba, mas acabou de forma agradabilíssima às 22:00 em ponto, coisa que o público adora, já que se trata de um domingo. O Fervura passou e deixou saudade, mas ao mesmo tempo deixou plantado uma grande expectativa para o Feira Noise 2011 - e que nós do Feira Coletivo vamos fazer o possível para satisfazê-la nos mínimos detalhes.

Fiquem atento ao canal do Feira Coletivo no youtube, os vídeos da cobertura do evento já vai sair.

Fervura Feira Noise terá Cabruêra e mais atrações de destaque



Em 2010, o Fervura Feira Noise mostrou a que veio trazendo a banda Nevilton, um dos principais nomes do rock nacional alternativo, como aquecimento para o Feira Noise Festival. A edição de 2011 não poderia decepcionar o público, e neste dia 19 (domingo), no Botekim Tematic Bar, os paraibanos da Cabruêra vão mostrar o porquê de sustentarem uma carreira bem-sucedida após mais de uma década de caminhada pela cena independente. O show deve ter início às 17, também com a presença do DJ Don Maths e dos grupos Sertanília e Heróis de Aluguel.

Atrações no estilo da Cabruêra estão de acordo a uma meta do Feira Coletivo Cultural, que há quase dois anos mobiliza a cidade com seus eventos: apoiar e fazer arte sem se preocupar com rótulos. De fato, é tarefa dificílima classificar a musicalidade desse quarteto hoje formado por Arthur Pessoa (voz, escaleta, acordeom e violão esferográfico), Pablo Ramires (bateria, percussão e programações), Edy Gonzaga (contrabaixo) e Leo Marinho (guitarra e violão). A mistura de rock, funk, baião, samba, ciranda, psicodelia e ska, entre tantos outros gêneros, não se enquadra em nada específico, a não ser em um som altamente personalizado.

Além do sucesso em solo brasileiro – onde recebeu o Kikito na categoria de melhor trilha sonora no Festival de Gramado (2001) –, a banda esteve em festivais por vários países da Europa, incluindo Inglaterra, França, Itália, Holanda e Alemanha. A Piranha Records, gravadora alemã, chegou a lançar seu segundo álbum mundialmente em 2005, sendo que algumas de suas músicas saíram em coletâneas lançadas até no Japão. E a enorme série de credenciais impossível de listar em tão curto espaço nos leva a prever um show daqueles que ficam na memória.

Ainda há muito mais para completar a festa. De Salvador para o mundo, o Sertanília se apresentou recentemente no Festival Tensamba, cuja meta é divulgar a cultura brasileira entre os espanhóis. A ida a Madrid talvez dê a impressão de que estamos tratando de um grupo com muito tempo de estrada, mas um ano de carreira bastou para que Aiace Felix (voz), Leilane dos Santos (violoncelo), Anderson Cunha (viola, violões e bandolim), Diogo Flórez (percussão) e Tainnã Chagas (percussão) contagiassem a todos com sua música repleta de referências ao universo sertanejo. Esse mesmo sertão, no qual se inspiraram Gonzagão, Elomar, Xangai e uma infinidade de artistas, surgirá no Fervura Feira Noise sob o olhar do Sertanília.

O Feira Coletivo não abre mão do apoio à cena local, procurando selecionar bandas que representem a cena feirense com criatividade. É vez de Dan de Oliveira (voz), Biscoito (guitarra), Little Robson (bateria) e Dé (contrabaixo), os Heróis de Aluguel, que fazem uma aposta certa em timbres básicos para ganhar o ouvinte. Quando menos percebemos, já nos lembramos de alguns refrões e do andamento simples, próximo da cadência de um Ira!, só que tão animado quanto um Ramones. Já o talentoso DJ Don Maths, artista engajado, multiinstrumentista e compositor amante de diversos ritmos, vai capturar a platéia com uma mescla de jazz, eletrônica, funk, soul, dub e regionalismos.

Os ingressos do Fervura Feira Noise estão à venda no balcão do Shopping Boulevard e custam 10 reais. Mais uma realização associada ao Circuito Fora do Eixo, propagando a cultura pelo Brasil afora. É comprar ou comprar.


Fervura Feira Noise

Quando: 19 (domingo), às 17h

Onde: Botekim Tematic Bar

Atrações: Cabruêra (Campina Grande – PB), Sertanília (SSA), Heróis de aluguel (FSA), DJ Don Maths (FSA)

Organização: Feira Coletivo Cultural

VÍDEOS DA CABRUÊRA

INSCRIÇÕES PARA O PRÓ-CULTURA ESTÃO ABERTAS

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Estão abertas as inscrições para projetos artísticos, culturais e esportivos no Pro-Cultura/Esporte, de abril e agosto de 2011, no Centro de Cultura Maestro Miro, em horário comercial.

De acordo com o artista plástico e Membro do Conselho Municipal de Política Cultural Silvio Portugal, as diferentes manifestações artísticas e esportivas desenvolvidas por artistas, produtores, agentes, instituições culturais, associações, demais atores e protagonistas da cultura, serão acolhidas pelo projeto que tem a promoção da Secretaria de Cultura Esporte e Lazer, a Fundação Cultural Municipal Egberto Tavares Costa, o Departamento de Cultura e o Conselho de Política Cultural de Feira de Santana. Segue um trecho da Lei municipal de incentivo à Cultura.


Infelizmente a prefeitura não disponibilizou em nenhuma de suas paginas na internet a ficha de inscrição para o Pró-Cultura. Então decidimos disponibilizar aqui para download, assim não será necessário ter que ir até o Centro de Cultura para conseguir o Formulário.


Circuito Fora do Eixo: uma vitória incontestável da cultura


III Congresso Fora do Eixo realizado em outubro de 2010 em Uberlândia / MG

Quando se pensa no impacto do atual crescimento do Circuito Fora do Eixo* e na presença de seus associados em quase todas as partes do Brasil, é preciso ir além de enfocar o grande incentivo dado a formas alternativas de manifestações culturais. Muito mais que isso, não se limitando puramente ao fomento de ideias/atitudes, a rede disponibiliza um espaço durável para as produções e garante aos agentes uma sustentabilidade baseada em princípios incompatíveis com os vigentes no mercado tradicional.
A organização do Fora do Eixo se encaixa na onda coletiva que tem contagiado desde a promoção de turnês musicais até sites de compras. A partir de quando surgiu em Cuiabá, em 2006, essa proposta de viabilizar uma espécie de autogestão da cena independente foi se concretizando graças ao aprimoramento das relações de colaboração mútua. Conforme contribuem de alguma maneira, os participantes são compensados por meio de outras prestações de serviços, numa estratégia que deu certo e já chegou a 25 das 27 unidades federativas do país.
É claro que os soteropolitanos fizeram jus ao seu próprio contexto heterogêneo e também incorporaram o espírito de cooperação. Como qualquer um dos pontos integrados ao circuito, o Quina Cultural se criou em Salvador a fim de movimentar a música fora dos padrões da indústria fonográfica, mas logo passou exercer influência sobre uma esfera geral de produtividade. Agora responsável pelos festivais Boombahia, Big Bands e Vanguarda, a capital é um elo importante entre a Bahia e os demais estados.
Foi questão de pouco tempo para que o Fora do Eixo alcançasse o interior, precisamente as cidades de Vitória da Conquista e Feira de Santana. Nesta última, o Feira Coletivo Cultural movimenta o cenário atual há quase dois anos na realização de eventos que não ficam apenas nos shows de música, fortalecendo também a união dos artistas de dança, artesanato e teatro, dentre outros segmentos. Até aqui, as principais conquistas se traduzem nas duas edições do Feira Noise Festival (2009 e 2010) e na primeira edição do festival latinoamericano Grito Rock (2011).
Ainda para 2011, as Noites Fora do Eixo e a programação do Under Tribus marcam uma etapa na qual o coletivo feirense se aproxima bastante daqueles que realizam e propagam a arte, com o objetivo de compreender os mecanismos e transformá-los em um só sistema que integre a todos. O diálogo aberto permite uma identificação melhor das necessidades do município, sinal de que Feira de Santana acompanha o ritmo peculiar dessa luta sem precedentes.

* As inovações do Circuito Fora do Eixo vêm chamando a atenção da mídia. Destaque para a reportagem publicada pela revista Trip, que enfoca o histórico da rede, a formação dos coletivos e as dificuldades para com a política adotada recentemente pelo Ministério da Cultura.

Por Ana Clara Teixeira

MANDHALA FUSION SE JUNTA AO FEIRA COLETIVO


A Trupe Mandhala Fusion, Grupo Experimental de Dança Étnica Contemporânea formado em 2010 por bailarinas profissionais e amadoras, passou a fazer parte do campo de ações do Feira Coletivo Cultural. Uma tarde de cultura com ensaio aberto já foi realizada no dia 29 de maio, e em 24 de julho acontece a segunda edição do Under Tribus. O evento promete unir dança, música e artes visuais, além de consolidar a parceria.
A ideia por trás da criação do grupo surgiu da iniciativa de Lyara Alika, Dunya, Anairam Strix e Vika, ex-integrantes da Trupe Yonah de Danças Orientais que tiveram as primeiras experiências na dança tribal em 2009, com a professora Bia Vasconcelos. Atualmente, além de manterem a Trupe, essas bailarinas dedicam-se ao estudo e à prática do ITS (Improvisation Tribal Style), Tribal Fusion e fusões com a Dança Contemporânea, Street Dance, Jazz, Danças Folclóricas e Orientais.
A união com o Feira Coletivo só tem a acrescentar ao cenário cultural do município, já que as fundadoras possuem currículos individuais expressivos e estiveram juntas na 1ª Etapa da Caravana Tribal Nordeste ocorrida em Salvador, no 1º Evento Beneficente de Dança 2010, Evento Beneficente Bicho Feliz e Tribal Night – todos realizados em Feira de Santana. O pouco tempo de existência não serviu de obstáculo à mobilização da Trupe, o que corresponde muito à filosofia de empenho conjunto que tem funcionado muito bem por aqui há praticamente dois anos.
Para o Coletivo, a presença das novas associadas é uma oportunidade de expandir sua atuação, isto é, de se comunicar com outras esferas da arte que não a música. Estar vinculado à Trupe Mandhala Fusion significa estar ligado ao Projeto Impulso, cujo objetivo maior consiste em demonstrar de qual modo a dança interage e abre diálogo com diversas formas de expressão artísticas.
Tudo isso vai ser colocado em prática no Under Tribus, primeiro símbolo dessa conciliação de interesses comuns em prol da cultura feirense. Compareça e conheça um pouco mais.


Under Tribus
Quando: 24 de julho
Onde: Botekim Tematic Bar
Atrações de dança: Trupe Mandhala Fusion, Academia Arte de Dançar (Ballet, Jazz, Dança Moderna e Contemporânea), Jefferson Akenaton (FUNCEB – Dança Contemporânea), Mhary Falcão (UFBA), Grupo Urban Dance (Street Dance), André Suzarte (Dança Afro)
Atrações musicais: Lunata (SSA), Vandaluz (Patos de Minas – MG), Casa de Vento (FSA)

3...2...1... e... Saiba como foi o show de lançamento da Magdalene and the Rock and Roll Explosion



A chegada do Outono e proximidade com o Inverno tornam o calor em Feira de Santana suportável durante o dia e à noite provém, com generosidade, uma frieza aconchegante – raríssima aqui em Salvador – daquelas que pede pra nunca sair da cama, ainda mais estando sob braços de carinho.
No domingo, 22 de maio, o céu vertia esse clima que não parecia o mais adequado para a combustão de um show de rock. O absoluto pesar atmosférico não seria capaz, no entanto, de impedir a primeira faísca da banda Magdalene and the Rock and Roll Explosion, que se lançava oficialmente no evento Noite Fora do Eixo.
O lançamento aconteceu no Bar Botekim, reduto das festas realizadas pelo Feira Coletivo Cultural – talvez o único grupo de produtores e agentes culturais que realmente trabalha em prol da cidade. Havia pouco mais de cem pessoas – número de sucesso para a cena alternativa feirense. Em meio ao público, muita gente bacana, amigos e conhecidos. As rodas de conversa e suas intercambiações, junto aos cigarros e bebidas transformavam o domingo outonal em um típico inferninho rocker – cenário perfeito para o estouro por vir.
Passadas as duas primeiras apresentações da Mendigos Blues e da Trônica – vi apenas as últimas duas canções desta, mas me agradou a sonoridade – a MARRE subiu para seu Big Bang. E começaram pretensiosos tocando Young Lust, da Pink Floyd. A execução, ainda bem, estava à altura e confirmava o que já se sabia sobre a banda em releases e via MySpace: a preferência pelo combinado de pop, blues, garage rock, hard rock e punk, sempre orientados para o som feito nos anos 70. Como a banda possuía somente duas músicas gravadas, apelou para clássicos do rock e apresentou duas inéditas. O tracklist:

1. Pink Floyd – Young Lust
2. Hellacopters – Dirty Woman
3. MARRE –You’re Mine
4. AC/DC – TNT
5. Stooges – Wanna be your dog
6. MARRE – Evil Eyes
7. Kiss – C’mon and Love Me
8. Joan Jett – Do you wanna touch
9. MARRE – Get Up Zombie
10. The Runnaways – Cherry Bomb
11. MARRE – Run Bastard

Foto por: Patrícia Martins

Não era um tracklist fácil, mas a banda foi do incrivelmente executado ao competentemente tocado, sem ter tido momentos ruins ou erros perceptíveis. O profissionalismo, substrato em falta no meio alternativo baiano, garantiu um bom momento rocker na cidade – que pôde ser confirmado com os fãs de Kiss e AC/DC headbangeando em frente ao palco. Eu mesmo, que pouco me nutro de rock and roll, cedi a bater os pezinhos com músicas que há muito não ouvia.
Dentre as canções, certamente os destaques foram para Cherry Bomb, C’mon and Love Me e duas canções próprias: a inédita e empolgante Get Up Zombie, e a melhor da banda, Run Bastard – que tem uma interessante, embora abrupta, transição de estilos no meio da música (do pop/hard rock para um blues com floreios jazzísticos). Tecnicamente a banda impressiona, ainda mais se tratando de um grupo novato. Tocar clássicos com competência e apresentar primeiras músicas já em nível acima do amador são um excelente sinal de trabalho maduro e sério. Destacam-se os dois ‘chefes’ da banda: Poliana (que se chama Magdalene no palco), cantora de voz potente, e PV (que se chama Paulo Victor fora do palco), lead guitar que já rodou algumas bandas feirenses e toca o instrumento como quem saboreia um capuccino em noite de inverno.
O refino técnico reflete escolha da banda em preferir primeiro gravar um EP a fazer shows de apresentação. Para a produção musical investiram pesado, contratando o renomado André T (que gravou Pitty e Retrofoguetes). Dado o tempo de incubação para comporem e arquitetarem seu som, a MARRE, formado ano passado, lançou este ano duas músicas – resultantes do trabalho com André T – que foram divulgadas no MySpace, no site da banda e em diversos blogs. Assim, apresentaram-se com maior maturidade do que é costumeiro para uma banda.
Se por um lado a banda deu um primeiro passo firme, por outro ainda precisa crescer muito no tocante à imagem como rock band. Isso se traduz principalmente no quesito presença de palco: os músicos ficaram bastante acanhados durante a apresentação, sem conseguir manter uma comunicação forte com a plateia. Em alguns momentos, pareciam tocar apenas para si próprios, preocupados em não errar uma nota. É genuíno o cuidado, mas muito do espetáculo musical tem de ser imagético e para isso não há tantos mistérios. A banda deve investir, em primeiro lugar, num figurino mais ousado que consiga se reportar aos gêneros que fazem parte de sua colagem harmônica. Em segunda questão, trabalhar a frontwoman. O centro do nome da banda é cantora Poliana transfigurada em Magdalene e, como diz texto no site do grupo, um de seus focos é inserir o feminino como elemento musical. Para tanto, a cantora deve ser mais feroz em palco, ter uma fala mais altiva, ser a principal centelha da explosão referida no título da banda. Por fim, não se pode esquecer que o grupo é, essencialmente, um duo e por isso explorar a relação entre PV e Magdalene, que são namorados, poderia gerar sacadas interessantes e seria um elemento de coesão e simbologia da MARRE – a exemplo da tônica entre Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala da The Mars Volta. Talvez PV possa adotar outro nome e também uma persona. Esta etapa é comum a todas as bandas que estão iniciando e a MARRE deve criar soluções criativas, tendo já feito algo nesse sentido: durante o show foi gravado seu primeiro videoclipe.

Foto por: Patrícia Martins

A se medir pelo que foi visto neste domingo, a banda transporá rapidamente o espaço oferecido por Feira de Santana, ainda mais por estar explorando um gênero que não é muito popular. Com suas músicas em inglês, ela pode muito bem conquistar fãs fora do país. Para isso, basta que continue mantendo o bom trabalho e também invista em divulgação – Facebook, Twitter e demais ferramentas ultracontemporâneas não devem ser menosprezadas. Depois do produtor musical, uma boa opção é procurar um assessor competente.
A MARRE está, atualmente, preparando o primeiro álbum. Por enquanto está sem shows marcados, mas foi sondada para abrir shows de uma banda carioca bastante conhecida – informação, entretanto, que ainda não pode ser divulgada. Certo é que esta banda vem juntar-se à Clube de Patifes e à Inema Trio como um dos pilares da música alternativa feirense, oferecendo pólvora e fogo para rachar o gélido reino da Princesa do Sertão.

P.S.: A banda anunciara a participação de Alexandre Damas como guitarrista na apresentação, mas ele foi substituído por outro músico. Damas, conhecido no meio roqueiro de Feira, passou o show ao lado do palco cantando as músicas com empolgação – inclusive as da MARRE – e soprando comentários zelosos para a banda. Ele prossegue ou saiu?


Marcelo Lima
Marcelo Lima é roteirista de HQs, produtor cultural, pesquisador do Instituto de Letras da UFBa, graduando em jornalismo e autor do álbum em quadrinhos Lucas da Vila de Sant'Anna da Feira.