Circuito Fora do Eixo: uma vitória incontestável da cultura


III Congresso Fora do Eixo realizado em outubro de 2010 em Uberlândia / MG

Quando se pensa no impacto do atual crescimento do Circuito Fora do Eixo* e na presença de seus associados em quase todas as partes do Brasil, é preciso ir além de enfocar o grande incentivo dado a formas alternativas de manifestações culturais. Muito mais que isso, não se limitando puramente ao fomento de ideias/atitudes, a rede disponibiliza um espaço durável para as produções e garante aos agentes uma sustentabilidade baseada em princípios incompatíveis com os vigentes no mercado tradicional.
A organização do Fora do Eixo se encaixa na onda coletiva que tem contagiado desde a promoção de turnês musicais até sites de compras. A partir de quando surgiu em Cuiabá, em 2006, essa proposta de viabilizar uma espécie de autogestão da cena independente foi se concretizando graças ao aprimoramento das relações de colaboração mútua. Conforme contribuem de alguma maneira, os participantes são compensados por meio de outras prestações de serviços, numa estratégia que deu certo e já chegou a 25 das 27 unidades federativas do país.
É claro que os soteropolitanos fizeram jus ao seu próprio contexto heterogêneo e também incorporaram o espírito de cooperação. Como qualquer um dos pontos integrados ao circuito, o Quina Cultural se criou em Salvador a fim de movimentar a música fora dos padrões da indústria fonográfica, mas logo passou exercer influência sobre uma esfera geral de produtividade. Agora responsável pelos festivais Boombahia, Big Bands e Vanguarda, a capital é um elo importante entre a Bahia e os demais estados.
Foi questão de pouco tempo para que o Fora do Eixo alcançasse o interior, precisamente as cidades de Vitória da Conquista e Feira de Santana. Nesta última, o Feira Coletivo Cultural movimenta o cenário atual há quase dois anos na realização de eventos que não ficam apenas nos shows de música, fortalecendo também a união dos artistas de dança, artesanato e teatro, dentre outros segmentos. Até aqui, as principais conquistas se traduzem nas duas edições do Feira Noise Festival (2009 e 2010) e na primeira edição do festival latinoamericano Grito Rock (2011).
Ainda para 2011, as Noites Fora do Eixo e a programação do Under Tribus marcam uma etapa na qual o coletivo feirense se aproxima bastante daqueles que realizam e propagam a arte, com o objetivo de compreender os mecanismos e transformá-los em um só sistema que integre a todos. O diálogo aberto permite uma identificação melhor das necessidades do município, sinal de que Feira de Santana acompanha o ritmo peculiar dessa luta sem precedentes.

* As inovações do Circuito Fora do Eixo vêm chamando a atenção da mídia. Destaque para a reportagem publicada pela revista Trip, que enfoca o histórico da rede, a formação dos coletivos e as dificuldades para com a política adotada recentemente pelo Ministério da Cultura.

Por Ana Clara Teixeira

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