Punk, heavy metal e death metal animaram o público do Feira Noise no domingo



O penúltimo bloco de shows do Feira Noise Festival, ocorrido no último dia 06, repetiu o êxito do anterior. Sem deixar de lembrar o apoio de parceiros como o AniHime e a Gracom, que contribuíram para o êxito de mais uma maratona de apresentações musicais, vale mencionar a atuação da Banquinha do Feira Coletivo em todos os eventos ligados ao Circuito Fora do Eixo realizados em Feira de Santana. O espaço funciona como um canal democrático de integração, amostra, divulgação e venda do trabalho de artistas independentes, expondo uma boa variedade de camisetas, discos, revistas, acessórios e produtos artesanais.



Musicalmente, o metal e o punk foram as diretrizes desta vez. Enquanto a tenda do Roça Sound System distraía os fãs de reggae e dub na parte de baixo, o hardcore contestador e divertido da banda Cama de Jornal (Vitória da Conquista) começou a agitar o teatro do Centro de Cultura Amélio Amorim. O quarteto não perdeu a oportunidade de alfinetar a mediocridade midiática e individual nas canções “Novela” e “Playboy do Blábláblá”. Além disso, o público respondeu bem ao humor de “Os Políticos”, à mensagem de união transmitida em “Bandeira Mundial” e às honestas “Meu Ex-Amigo” e “Sim, Somos os Piores”.
No segundo show, os feirenses da Metalwar convidaram os headbangers a curtir um power metal de influências notadamente oitentistas e dos primórdios. A banda abriu com três músicas autorais, “Sanctuary”, “Follow in the Sun” e “Evil Soul”. Em seguida, emendou covers competentes de “Manowar” (da banda homônima), “Motorbreath” (Metallica) e “Troops of Doom” (Sepultura), sendo que este último agradou em cheio aos que esperavam pelas atrações de metal extremo. As autorais “Steel Force” – inédita –,“Burning Heart” e “Metalwar” fecharam o set list irretocável.
A cearense Thrunda empolgou a plateia com muito punk/HC, sobretudo nos protestos de “Viva Rebeldia” e “Domingo na TV”. Não só o baixista Jean Marcell contagiou o ambiente com sua hiperatividade – no melhor sentido da coisa –, como também o vocalista Rodrigo interagiu bastante, inclusive quando o grupo tocou uma versão de “Medo”, do Cólera, em homenagem ao recentemente falecido Redson. Depois da engraçadíssima “Mulher de Cabaré” e seu andamento diferenciado complementando o set list, não havia quem não estivesse satisfeito.
No encerramento da grade punk, a banda local Violência Suburbana não deixou o público parado. Ficar inerte diante do incansável frontman M. Abutre, aliás, seria um desafio quase impossível a qualquer um. Ele sempre se dedica inteiramente à interpretação de suas composições, e não foi diferente nesse show que contou com dois covers para os clássicos “Festa Punk” e “Nicotina”, dos Replicantes, e uma versão de “Papai Noel Filho da Puta”, dos Garotos Podres. Mas os destaques foram mesmo as composições próprias essencialmente diretas e repletas de denúncia, a exemplo de “Isso Pode Mudar”, “Voz do Subúrbio” e “Realidade Cruel”. Tudo como o autêntico punk rock deve ser.
O que esperar do retorno de uma lenda do death metal nacional à cidade, após algum tempo de ausência? A resposta foi dada na apresentação inesquecível da Headhunter D. C., na qual o vocalista Sérgio “Baloff” Borges fez elogios aos deathbangers e comemorou a sobrevivência do estilo em meio às dificuldades. Em uma espécie de retrospectiva da carreira, misturando faixas novas, como o single recém-lançado “Deny the Light”, e as obrigatórias “... And the Sky Turns To Black” e “Am I Crazy?”. Sem dúvida alguma, o ápice da noite em termos de qualidade e recepção. E a banda ainda manifestou a vontade de tocar muito mais, se pudesse.
A missão de manter o interesse geral depois desse retorno histórico do Death Cult coube ao quinteto Keter, de Salvador. Alternando entre os idiomas inglês e português, a banda cumpriu seu papel com um repertório que abarca as composições “Insanidade” e “I Don’t Believe”. Referências old school e atuais combinadas na sonoridade meio thrash, meio death, conquistaram os espectadores que pediam mais metal. E assim terminou o bloco musical mais pesado e agressivo do Feira Noise 2011.

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