Quarto bloco de shows do Feira Noise foi sucesso


O Feira Noise Festival 2011 reservou seu dia mais longo de shows para o sábado, 05, quando um público interessado em rock tradicional e música alternativa tomou o teatro do Centro de Cultura Amélio Amorim. Além das oito bandas de diversos gêneros e estéticas, tivemos atrações de dança, uma oficina de pulverografia ministrada pelo conhecido tatuador Márcio Punk e um espaço do AniHime, equipe que vem chamando atenção para a quantidade de admiradores da cultura pop nipônica no município.
No foyer, durante todo o evento, as atividades simultâneas mantiveram-se eficazes no sentido de entreter os presentes. No momento em que o Roça Sound System jogava sua mistura de reggae e rap, o público se divertia no AniNoise ou aproveitava outros produtos oferecidos por parceiros. Vale citar, por exemplo, o stand do restaurante China Home e os sorteios feitos pela escola de efeitos visuais Gracom. Se o Feira Coletivo se expande em tão poucos anos de atuação, é também em virtude da ajuda de quem quer ver o cenário cultural feirense mobilizado.
Mas vamos ao som. A soteropolitana Quarteto de Cinco abriu o show e confirmou a excelente impressão deixada na primeira edição do Grito Rock. Com um show agitado, marcado por uma pegada rocker e ao mesmo tempo cheio de variações cadenciadas, não foi difícil ganhar os espectadores. O vocalista Beto Calasans, cujo timbre bem-humorado é inequívoco, é dono de um carisma que leva a banda se exibir melhor ao vivo que em estúdio. O público dançou e cantarolou as composições próprias, como a festejada “Ela” e a balada “Se Vai”, e vibrou com a versão potente de “Boa Viagem”, de Guilherme Arantes.
Nos intervalos até os shows seguintes, percebemos que há muita gente dançando em Feira de Santana. A prova inicial disso veio com uma coreografia do projeto WorkDance, dos professores André Amorim e Júnior Oliveira, a qual uniu duas atrações locais. Os grupos em questão, Mezcla e Kiken-Sei, são formados por jovens que exploram os estilos street dance e K Pop, respectivamente, sendo este de origem coreana. Houve, ainda, a criativa coreografia “No Shining Gun”, dos meninos do grupo de street dance Urban Style Ultimate Crew, e a bela mensagem de “Liberdade, Mesmo Que Tardia”, coreografia das moças da Academia Arte de Dançar. No mais, assistimos à Dança Tribal de Lyara Alika, integrante da nossa Trupe Mandhala Fusion, e à dança do ventre da bailarina Mel Breviliere (Serrinha).
O samba da Escola Pública, de Cachoeira, animou os mais ecléticos. Apesar de seu clima nostálgico e remetente a grandes pioneiros, o grupo conseguiu empolgar por causa de sua capacidade de sair de uma linha muito ortodoxa. Canções autorais de intenso apelo social, incluindo a já divulgada em videoclipe “Socorro, Meu Deus”, deram a tônica a apresentação.
Depois de uma breve parada, os cariocas da Mutuca Bacana apresentaram um repertório de referências que vão da Jovem Guarda a Chico Buarque – evidenciada no cover de “Jorge Maravilha” –, abrangendo o blues e o pop. “Toma Lá, Dá Cá” e as demais músicas compostas pela banda estiveram realçadas ao vivo pelo charme da flauta, da percussão e dos teclados, embora os vocais femininos parecessem carentes de uma vitalidade maior para tamanho dinamismo da proposta geral. Um show adequadíssimo àquele instante, que pedia algo mais movimentado.
A propósito, tratando-se de movimento, ninguém superou a LP & Os Compactos. De volta após ter encerrado as atividades em 2005, a banda é uma verdadeira lenda do cenário feirense, uma das poucas a mostrar que Feira de Santana, rock and roll e genialidade podem figurar juntos em uma mesma frase. O show no Feira Noise celebrou esse retorno aguardado, com um público em êxtase e uma nova formação bastante entrosada. A introdução explosiva e “Pior Sem Ela” abriram caminho para um set list bem roqueiro, de canções antigas com novos arranjos e novidades como “Se Você Ficar II – Não Bebo Mais”. "A gente gostaria de seguir isso aqui, mas a gente não consegue", brincou o vocalista Mário Pitombo, incrementando essa aula de pop/rock clássico em que houve lugar para The Who e outros ecos maravilhosos.
Babi Jaques e os Sicilianos acalmaram o ambiente, o que não significou acabar a atmosfera de diversão. O grupo de Recife mostrou-se um exemplo ideal de performance extramusical, sobretudo pela estética mafiosa explicitada a partir do nome. É impossível classificar a ora arrastada, ora rápida e sempre voluptuosa que conquistou a plateia, tampouco caracterizar o magnetismo da vocalista Bárbara Jaques. “A Lágrima do Palhaço” e “Na Onda Moderna”, premiada em festivais, foram os principais destaques dessa apresentação fundamentalmente hipnotizante.
O puro rock retornou na entrada da Magdalene and the Rock and Roll Explosion, banda local recém-formada que se sobressai pela maturidade impressionante e, é claro, pela qualidade.  Poliana Santiago cantou de maneira arrasadora – na melhor acepção do termo – a autoral “Get Up Zombie”, que abriu o show. As divulgadas “You’re Mine” e Run Bastard!” não faltaram, nem a surpresa da noite: a inédita “Evil Eyes”, lenta e explosiva, um indicativo de grande evolução sonora em curto período de existência. Dentre os covers tocados, a constantemente pedida “Cherry Bomb” (The Runaways), “C’mon and Love Me” (Kiss) e Roxanne (The Police) complementaram o set list.
Com vocal, bateria, duas guitarras e sem baixo, a formação do Soulstripper desperta curiosidade. O trio, vindo de Piracicaba (SP), faz um rock despretensioso, vigoroso e meio infantil que virou fenômeno virtual através do clipe de “Não Trocaria um Sorvete de Flocos Por Você”. Obviamente, a música foi tocada no show, assim como as engraçadas “Bonitinha, Né? Fiz Pra Você”, “O Príncipe Dançou” e “O Conto do Nerd e Seu Coração Partido”. E, para completar, o vocalista e guitarrista Bruno Fontes não perdeu a chance de improvisar umas piadinhas envolvendo as bandas de emocore Restart e NX Zero.
Os Heróis de Aluguel trouxeram uma leveza bem-vinda à noite, tanto com sua sonoridade inconsequente e letras simples quanto com o cover de “Ana Banana”, sucesso da banda gaúcha TNT. Mais preocupado em brincar do que em impressionar, o grupo feirense negligencia a técnica em nome de rock nacional básico, e a estratégia dá ótimos resultados ao vivo.
Encerrando a longa sequência – e aqui não existe exagero algum –, os Mamutes chegaram de Aracaju (SE) estimulando boas lembranças nos fãs do rock and roll autêntico. Hard rock, garage e blues e muitos grooves são o que caracteriza o disco homônimo da banda, transformando-se em uma massa sonora extremamente vibrante no show. A apresentação, baseada no tracklisting de estúdio, decolou quando executaram “Cabeça de Mamute” e a avassaladora “A Dama de Branco”: “Mas não se preocupe/ Não vou errar os passos, não/ Sigo sempre o fio da navalha”. Quinteto simplesmente imperdível, tal qual o restante das atrações.

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